Moçambique - Beira
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Shegundo Galarza - Lourenço Marques
Moulin Rouge entre a Estação e o Chiveve

A cidade da Beira,
na margem do Pungué, foi construída com grande determinação, em cima de terrenos alagadiços e atravessados pelo Chiveve. Uma obra quase impossível. Talvez essa teimosia tenha marcado a maneira de ser dos Beirenses. Comunidade muito coesa, altiva e hospitaleira.

A segunda cidade de Moçambique, ponto de reunião das pessoas que tinham a sua actividade no eixo Beira (o Porto) - Vila Pery (a agricultura) - Tete (Barragem de Cahora-Bassa).

A cidade do Chiveve sempre bela, com a sua praia, com o farol, a praça do Município; os bairros do Maquinino e da Manga; a avenida da República com as belas acácias, jacarandás e figueiras da Índia; o moderno edifício dos Caminhos de Ferro.

Vista da Beira. Ao fundo a Estação Ferroviária.

Aero-Clube da Beira
Aero Clube (vintage)

A cidade toma o nome em honra do filho do Rei D. Carlos, o princípe da Beira, cujo nascimento ocorreu em 1887.

As gentes moçambicanas sempre foram de vistas largas. Dizia-se que era normal um habitante da Beira pegar no carro e ir a Vila Pery beber um café com uns amigos para regressar de seguida. São cerca de 200km que eram feitos com grande frequência.


Farol da Praia do Macuti



Passei um ano na Beira, dando instrução militar (1970) no Regimento de Artilharia. Dormia nas casas-bidons frente ao quartel. O meu tio Armindo Soares era electricista no Hotel Embaixador. Minha tia Alzira tinha um quiosque de revistas no início da av. Sarmento Rodrigues junto das escolas.

Todos se conheciam. E quando íamos pela Sarmento Rodrigues fora para a praia, bastava um sinal de boleia, para qualquer carro parar. Só vi isto na Beira !


A Beira e o rio Chiveve


Romagem à minha Terra!

Ergui-me cedo e cedo me embrenhei
Por esta bela Terra onde nasci;
Andei horas; andei, subi, desci;
Do Macúti ao Maquinino,
Das Palmeiras a Matacuane,
Gingando nas ruas do Esturro à Manga,
Comprando no bazar da Munhava
Até sentir o cheiro a catinga...

Olhei o raiar do céu ao alvorecer,
Senti o cheiro do capim,
Ouvi o pálido som do batuque,
Vivi o pulsar nas ruas da cidade
e... recordei as traquinices da juventude.

Vista da Beira - Baixa


Muita coisa mudou, eu sei, eu sei,
Os mesmos caminhos agora tão diferentes!
Gente que passou e nem reconheci;
No chapa 100, de ginga ou a pé,
Nenhum Xamuare na multidão eu distingui.
Mas tudo, até o que mudou - eu vi -,
Com o mesmo amor do tempo doutra Lei.

E tudo - coisas e almas - me falou,
Me seguiu e comigo comungou
Nesta romagem pela cidade da Beira.
Ah!, como outra vez me vi menina,
Ao voltar à Terra que me pariu
E ao senti-la reviver em cada veia!...

Carla Dimitri (20Ago2002)


 

Actualizado em 14-04-2008 ::   Copyright © Xirico.com
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